Mensagens

uma história de algo parecido ao amor

Esta é uma história de amor, sexo, morte e todos os seus entre tantos. E claro, os entre tantos são, na verdade, aquilo que sustenta a história: Uma lista inesquecível, uma acrobacia com o dedo do pé. Batalhas de bolas de neve e análises do globo terrestre. Uma cabeça fodida e um sorriso maldoso. Danças na rua com sapatos gigantes, Pinhas e desenhos, verdades e desafios. Cigarros entre cervejas, insanidades e mal-entendidos. Sótãos antigos e serenatas à janela. Um adeus envergonhado e promessas de cartas. Ainda se escreve, adicionando entre tantos.  

Poema da Primavera

  Tenho um poema no bolso, que não quer ficar calado. As palavras têm vontade, estas cantam liberdade. Meti a mão ao bolso e tirei-o com carinho, mas o poema inquieto, com vontade de voar, escorregou para chão. Camuflado de pétalas e chilreares, misturou-se na Primavera e eu deixei de o ver. Mas há coisas que têm de ser perdidas, para que se consigam encontrar. Não o tentei descobrir e, num sussurro, pedi ao vento que o ajudasse a voar. Hoje é Primavera. É da terra que se nasce e da água que se cresce. Hoje o poema que caiu no chão, voará com o vento. Não sei para onde irá ou se procura alguém. Mas encontrará o seu lugar e, quando chover, germinará para um dia florescer.

É isto a que chamamos amor?

Tudo o que ouço de ti é silêncio. Um silêncio tão alto, que ensurdece a alma. Um silêncio tão profundo, que inquieta o pensar. Tudo o que vejo em ti é ausência. Uma ausência tão grande, que ofusca  o sorriso. Uma ausência tão vasta, que vence o olhar. Mais um. Outro ser de mãos frágeis, Que deixou cair um bocadinho de mim. Eu recolho os pedaços e colo-os com jeitinho, trocado as peças, reconfigurando a sua disposição, numa tentativa desesperada de criar uma defesa mais resistente, enquanto me pergunto: “É isto a que chamamos amor?”

I

 I Eram dois bandidos. Andavam perdidos, debaixo da Lua. Escondidos, entre músicas e quadros inacabados. Um dia, o acaso, essa obra imprevisível de natureza definida, tratou de colidir as suas vontades. Um toque, um segundo, um instante. Foi o bastante para que as suas linhas se emaranhassem com tal intensidade que nem o Tempo, esse deus omnipresente, as conseguiu separar. Mas esta, ao contrário do que se possa pensar, não é uma história de amor.

O ar ganhou densidade

O ar ganhou densidade. Está pesado, Dilatado, Num dia de sol. Há tanto para fazer. Tão pouco a dizer… É só mais um dia... Mas é sempre só mais um dia. Não tenho tempo que chegue para a minha vida. Preciso de mais horas. Preciso de parar. Por favor, tempo, pára. Deixa-me respirar. Eu preciso de respirar.

Às vezes fico distante

  Às vezes fico distante, de olhar longínquo, com um sorriso vazio. Às vezes não estou presente, deambulo pela mente, perdida em mim. Vejo passados e crio futuros. Exploro pensamentos e recantos escuros e onde surgem ideias. Teias tecidas num sonho acordado, em cenários inventados. Quando se vive entre mil projectos inacabados, a uma velocidade subatómica, os neurónios acabam avariados   eu viro uma criatura atónica.

Há uma estrada feita de sonhos

  Há uma estrada feita de sonhos. Consigo vê-los  reluzir, por entre camadas de porcarias variadas, que o tempo fez cobrir. Mas deixa-me contar-te um segredo: os sonhos são feitos de magia e coisas mundanas não os conseguem tapar. Vou seguir a estrada realizando fantasias e, se essa estrada tiver um fim, digo adeus com os seus sonhos em mim.