Mensagens

O Sol foi embora

O Sol foi embora. E as nuvens no horizonte capturam a última luz do dia. Ainda não vejo a Lua, mas espero que não se atrase. Há noites em que não aparece (suponho que fique a dormir....) Mas agora ainda não é noite a já não é dia. É a hora de ninguém, sem guia ou vigia. É uma hora bonita, é uma hora perigosa. Não é nada, mas é tudo. É um estado difuso e confuso entre o ser uma coisa e depois ser outra. É a hora de mudar. E como não é definida, não tem limites nem chefia, é a hora da liberdade, da rebeldia, da ousadia. O Sol foi embora e a Lua, a Lua ainda não chegou.

Gotas de sal

Gotas de sal Enchem o ar, Cheiram a força Sabem a mar. Eu queria ser como a água, Como a água do mar, Não ter forma nem sonhos E ser capaz de voar. Voar com o vento, Voar pelo ar, Correr pelo mundo Sem medo de errar. Não sei porque voa a água. Ainda bem que o faz. Que refresque a terra, que nos encha de paz.

Presa numa rede de ideias

Presa numa rede de ideias, Só me saem coisas feias. Não consigo ver além. Não consigo ser alguém Mais do já sou. Maior do que eu, Melhor do que serei. É um jogo viciado, O dado foi lançado. Sou profeta de uma fortuna Desventurada, Em que a descrença Torna-se uma sentença.

A insanidade é uma amiga

Uma mulher sã, Perdida e esquecida. Deixada num mundo avariado, embriagado de uma toxina citadina. A rotina viciante. A sinfonia alucinante. Ela transforma-se e deforma-se. A estupidez envolve a lucidez. Dá vez à loucura momentânea, À demência instantânea. Quem sou eu para julgar? Quem és para culpar? Numa sociedade partida, A insanidade é uma amiga.

Poesia d'algibeira

Poesia d'algibeira Escrita e cantada Sob uma brisa ligeira. Raios de luz Espreitam e deleitam Por entre nuvens Carregadas, cinzentas e pesadas. Tempo de possibilidade: Onde a tempestade é tão real Como a bonança primaveril. A chuva, o sol, o vento, Um arco-íris de felicidade. O despertar da vida, O respirar da saudade. As folhas dançam, Soltando gotas de magia. Um botão cresce, Floresce, num berma esquecida. É tempo. É tempo de renascer, É tempo de viver.

Névoa

A névoa distante Que se aproxima, Aprochega, fulminante. E o silêncio Ensurdecedor Dá asos à voz Feita d'amor. Quem és tu?   Quem sou eu? É tudo amargo Em teu redor. A lentidão Em palavras declamadas. A imensidão De silabas aglomeradas. Extasiada… Depois do tudo Vem o ser nada. Como é possível Sentir o mundo E o intangível? Estas palavras Cor-de-burro, São sentinelas Cor-de-musgo. Quem és tu Quando eu não sou? Quem sou eu Quando não estou? Faço rimas absurdas. Digito ideias sem sentido… Crio realidades fictícias Num mundo Onde a verdade É uma mentira.

XLII

Quero ser tudo, Vivo no futuro. Acabo a ser nada, Numa vida passada. Se conseguisse parar, Deixar de pensar, Seria feliz? Se voltasse no tempo, E vivesse o momento, Faria o que fiz? Perguntas desnecessárias, Ideias cansadas.