Coletânea de palavras escritas, que se transformam numa espécie de prosa poética ou poesia prosaica, como resultado de turbilhão de pensamentos aleatórios.
Hoje não há poesia. Hoje é um dia simples e de sorriso fácil. Não há metáforas complicadas ou palavras eloquentes. Hoje a alma está no corpo e sente. Apenas sente. Sente os lábios de tinto. Sente os abraços de areia. Sente as pegadas de sal. Hoje há maresia, há sol e sangria.
Um dia hei-de fazer uma peça, escrita numa nota melancólica, sobre este espelho inquieto pintado de pirilampos. Serás tu a trocá-la? Vejo a melodia, desenhada com cordas exóticas e mãos ágeis. As mãos... Pergunto-me se serão seguras... Dançam sobre a viola delicadamente, mas parecem firmes. As aparências... Não quero falar sobre o que é parecer... Só pareço que sou. Chegou a voz. Veio tímida, com texturas graves e suaves, proferindo sons desconhecidos. Serão palavras? Serão lamentos ou murmúrios de sentimentos? Penso que são ecos de outros tempos. De um tempo, talvez, em que a realidade era mais real. Será isto a definição de magia? Um momento de entendimento de ritmos, onde o tempo não corre? O ritmo... Sinto-o no corpo... Ora lento, ora rápido. Ora triste, ora alegre. Mas trás sempre a profundidade do rio: repleto de vida, com os seus rodopios deslizando sob um manto de paz.
Era uma vez um casaco e uma cadeira. Ou melhor, um casaco pousado numa cadeira. Pode-se pensar que tal imagem é pouco poética, que não é digna de ser cantada. Mas reparem: é nos mais ínfimos e ordinários momentos do dia-a-dia que a magia acontece. E eu acho que um casaco bege, pousado sobre as costas de uma cadeira da mesma cor é motivo suficiente para celebrar aquilo que poderá (ou não) ser arte.
Comentários
Enviar um comentário