Coletânea de palavras escritas, que se transformam numa espécie de prosa poética ou poesia prosaica, como resultado de turbilhão de pensamentos aleatórios.
Uma história. Eu só quero contar histórias. Eu só quero viver histórias. Eu só quero criar histórias. Provavelmente pela ordem contrária. É de histórias que eu existo: Daquelas que aconteceram, daquelas que estão por escrever. Das fictícias e das verídicas. Que importa? (São detalhes...) A realidade e a imaginação inspiram-se mutuamente e o resultado dessa simbiose é tudo o que interessa. Eu só quero contar histórias. Mas fico perdida nos entretantos: Nos espaços vazios, entre um parágrafo e depois outro. Nas páginas finas, entre um capítulo e depois outro. Não tenho tempo que chegue para a minha vida. Não tenho tempo para viver histórias. Não tenho tempo para criar histórias. Não tenho tempo para contar histórias. Dêem-me tempo, ou antes: Pare-se o tempo! Pare-se o tempo! Que Deus cruel, o Tempo. - Ó Tempo, deixa-me contar histórias, tudo o que eu quero é co...
Quando a Felicidade passou. Foi-se embora, levada por uma onda sonora. Vai inundar outra existência. É que, como todas as coisas, (Porque é isso que ela é, uma coisa, Um objeto concreto. Quem diz o contrário, é porque nunca a viu. Eu já a vi. E se a vejo é porque é.) a Felicidade não consegue estar ao mesmo tempo, em todo o lado. Quando está por aqui, esqueço-me dela. Mas se vai embora, consigo vê-la ao longe, noutra vida. E logo me arrependo de não lhe ter dado a devida atenção. É o que dá, não reparar nas coisas importantes. Estava tão concentrada em trivialidades (como o que fazer amanhã), que me esqueci de lhe dar o melhor de mim. Ela dá-me sempre o melhor de si. Espero que não a tenha magoado. Espero que volte em breve. Tenho medo que um dia se canse e que não queira voltar. Espero que esse dia não seja hoje. Perdoa-me, Felicidade.
Hoje não há poesia. Hoje é um dia simples e de sorriso fácil. Não há metáforas complicadas ou palavras eloquentes. Hoje a alma está no corpo e sente. Apenas sente. Sente os lábios de tinto. Sente os abraços de areia. Sente as pegadas de sal. Hoje há maresia, há sol e sangria.
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