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Fumar o tempo

Hoje ouvi uma expressão estranha. O estranho, o anormal, o esquisito são portadores de uma beleza diferente. Uma beleza inestética, desproporcional e assimétrica. Fumar o tempo, disseram-me. Há conversas que são como fumar o tempo. Em que o mundo se transforma num nevoeiro distante, uma névoa branca indiferente. E estás tão concentrado nas palavras que o tempo para, os problemas são figuras distantes e absorves cada gesto e cada som. Como se fossem objetos concretos, capazes de serem fumados.

A tempestade chegou

A tempestade chegou.  Inundou a alma com uma sinfonia ritmada,  tal orquestra afinada,  balançando entre pingos e salpicos,  relâmpagos e trovões. A chuva, o cheiro, a terra.  O som e a escuridão pincelada de luz.  Sente-se-lhe o sabor agridoce  de uma beleza avassaladora,  recheada de fúria, de paz, de medo e de força.

Às vezes estou sozinha

Às vezes estou sozinha e sinto-me bem. Completa, preenchida e conhecedora. Sinto o ritmo do silêncio e escrevo ou pinto ou durmo ou existo.  Às vezes estou sozinha e sinto-me só. Oca e distante. As palavras deixam de fazer sentido e as frases viram desastres, perdidas numa imensidão de pensamentos frios, sombrios, vazios, perdidos....

És parte de mim

És parte de mim. Hoje e amanhã e todos os dias. Não posso dizer que o serás para o sempre, simplesmente porque não existirei para sempre. Fazes parte de mim. Afinal que mais somos nós senão aquilo que vivemos? As nossas recordações, as nossas experiências, as nossas sensações. E tu, aí, ainda és (foste e serás).  Por isso amo-te e amar-te-ei, assim como amo todos os seres que completam o meu ser. Mesmo quando estivermos longe, e tu fores só teu e eu for só minha, fico feliz por te levar comigo. E vou sorrir em cada acontecer que me transportar para esse recanto da minha memória em que tu existes. Quando deixar de ser, vais deixar de ser comigo. E isso é amor. Levar-te comigo para a efemeridade da existência.

Infinitos universos

Se existem infinitos universos, também hão de existir infinitas dimensões. E em cada dimensão hão de existir infinitas realidades, infinitos aconteceres, infinitos seres, infinitos tudo. E há de existir a não existência, o infinito nada. Embora seja impossível de imaginar: se o vazio é nada, porque tem nome? Isso já é alguma coisa... um nome. Um substantivo não será uma substância? Ou as palavras, as frases, os pensamentos não têm peso?